Rafael Maschio (E), nos estudios da Rádio Cidade Verde: comemorando a boa safra de soja do Piauí

 

O Piauí deverá ter este ano uma safra recorde, pela primeira vez superando a colheita de mais de 2 milhões de toneladas de soja. A informação é do diretor da Associação dos Produtores de Soja do Piauí (Aprosoja), Rafael Maschio, em entrevista ao Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde. Isso deve implicar ainda em um faturamento recorde: R$ 2,5 bilhões, superando com folga o melhor desempenho anterior, de R$ 2,1 bilhões, em 2015.

Esses recordes são resultado de uma série de fatores favoráveis, começando pelo aumento da área plantada: 685 mil hectares de soja, contra os 820 do ano passado. Os valores internacionais das commodities também ajudam, já que o reaquecimento da economia global implicou em maior demanda por alimentos – o que melhora o preço da soja e eleva o faturamento por tonelada colhida.

Além disso,o ciclo chuvoso está sendo muito positivo, dentro das necessidades para o plantio. Os plantadores esperam ainda algumas precipitações para este mês de março para assim consolidarem a expectativa de recorde. Esse ciclo chuvoso também está permitindo que a região sul do Piauí obtenha excelentes níveis de produtividade.

As primeiras colheitas – realizadas na semana passada, para os plantios mais precoces – apontaram produtividade ao redor de 3 mil quilos de soja por hectare. Conforme Rafael Maschio, a média de colheita por hectares deve se manter nesses 3 mil quilos, que corresponde a 50 sacas de 60 kg. “Pode ficar até um pouco acima”,diz, reconhecendo que isso depende das precipitações dessas duas próximas semanas.

O número é significativo, tendo em conta que a média nacional para uma boa safra é de 48 sacas por hectare. “O Brasil nunca teve uma safra com média de 50 sacas. E o Piauí deve ficar com uma média até acima disso”, festeja o produtor.

Isso tudo vai pernmitir que o Piauí supere os 2 milhões de toneladas. A melhor colheita, há dois anos, foi de cerca de 1,9 milhão de toneladas. Os números também revelam a importância da soja no agronegócio piauiense. Em 2015, o agronegócio somou, no estado, R$ 3,7 bilhões, onde a agricultura respondeu por R$ 3,3 bi e só a soja por R$ 2,1 bi. Essa participação vai passar este ano, conforme as expectativas, para R$ 2,5 bilhões.

 

Estradas, o problema de sempre

Mas nem tudo são flores. Os produtores reclamam de um problema crônico: a falta de estradas. “É nosso principal entrave”, reconhece Maschio. Ele reconhece que uma área de expansão agrícola como o sul do Piauí sempre implica em demandas dessa natureza. Mas lembra que “já são 20 anos de consolidação desse pólo agrícola”, e que as estradas poderiam ter sido implantadas há algum tempo.

Com as chuvas recentes, as estradas de terra ficaram intrafegáveis, segundo o diretor da Aprosoja. “Fica difícil escoar a safra”, ressalta. Vários trechos rodoviários são reivindicados pelos produtores. O principal deles é a Transcerrado, cujo projeto soma cerca de 350 km de estradas. A estrada foi iniciada em 2013, mas tem apenas um quinto do traçado pavimentado. “São apenas 70 km construídos”, lamenta Maschio.